Bezerra de Menezes
Adolfo Bezerra de Menezes nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaretama) no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831. Desde sua infância mostrou-se muito inteligente, pois aos 11 anos de idade começou o curso de humanidades e aos 13 conhecia tão bem o latim que ele próprio dava aula aos seus companheiros quando o professor faltava. Estudou Medicina e se formou em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Tomou conhecimento do Espiritismo através do Dr. Carlos Travassos que fez a tradução das obras de Allan Kardec para o português e lhe ofereceu de presente um exemplar do Livro dos Espíritos. A partir da leitura do livro, se tornou publicamente espírita, chegando até à presidência da Federação Espírita Brasileira no ano de 1893 onde ficou até desencarnar no Rio de Janeiro em 11 de abril de 1900.
A maior demonstração de religiosidade e pureza foi quando abandonou a vida pública e foi viver para os pobres, distribuindo a eles tudo o que possuía. Estava sempre onde havia um aflito para levar-lhe o conforto de sua palavra de bondade, seus recursos como médico ou simplesmente o auxílio financeiro. Com relação ao seu trabalho de médico dizia: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto quando um aflito qualquer lhe bate à porta."
Suely Caldas Schubert, escreveu no jornal "O Espírita" no ano de 1994 uma passagem muito bonita da chegada de Dr. Bezerra ao plano espiritual:
"Um dia perguntei ao Dr. Bezerra de Menezes qual foi a sua maior felicidade quando chegou ao plano espiritual. Ele respondeu:
- A minha maior felicidade, minha filha, foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito em que eu ainda estava dormindo e, tocando-me, falou suavemente:
- Bezerra, acorde, Bezerra!
Abri os olhos e vi-a, bela e radiosa.
- Minha filha, é você Celina?!
- Sim, sou eu, meu amigo. A mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontra na Vida Espiritual, havendo atravessado a porta da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz.
Chegaram os meus familiares, os companheiros queridos das hostes espíritas que me vinham saudar. Mas eu ouvia um murmúrio, que me parecia vir de fora. Então, Celina me disse:
- Venha ver, Bezerra.
Ajudando a erguer-me do leito, amparou-me até a escada, e eu vi uma multidão que acenava, com ternura e lágrimas nos olhos.
- Quem são, Celina - perguntei - não conheço ninguém. Quem são?
- São aqueles a quem você consolou, sem nunca perguntar-lhes o nome. São aqueles espíritos atormentados, que chegaram às sessões mediúnicas e a sua palavra caiu sobre eles como um bálsamo numa ferida em chaga viva; são os esquecidos da Terra, os destroçados do mundo, a quem você estimulou e guiou. São eles, que o vêm saudar no pórtico da eternidade...
E o Dr. Bezerra concluiu:
- A felicidade sem lindes existe, minha filha, como decorrência do bem que fazemos, das lágrimas que semeamos no caminho, para atapetar a senda que um dia percorremos".
